Na Faculdade de Direito, cujo átrio estava vazio mas havia alunos na sala de estudo, os seguranças não deixaram tirar fotos. Só consegui esta, das gravuras de Ribeiro Santos e de Alexandrino de Sousa.
Na Torre do Tombo disseram-nos que havia poucos leitores e que poucos funcionários compareceram.
Na Biblioteca Nacional nem tentámos aproximar-nos: tem as salas de leitura fechadas, já que a direcção resolveu encerrá-las para proceder à mudança de livros, na sequência das obras.
O ISCTE, onde nos disseram que foram convocadas para hoje reuniões que dificultavam a falta dos docentes, tudo parecia às moscas. Veja-se o bar, por exemplo. Mas as paredes falam.
Descemos ao Rossio, onde em frente do teatro havia uma concentração. Hoje à noite não haveria espectáculo e reunir-se-iam aqui em frente os artistas.
No liceu Camões não havia movimento. Soubémos que noutra escola secundária uma professora «amarela» ameaçou três turmas em relação a uma falta a um teste, mas parece ter-se saído mal: balda estudantil generalizada, nenhum aluno na sala. Porém, esta senhora terá sido um caso extremo, já que a adesão docente foi muito forte.
No Rossio eram muitas as causas que desaguavam: os Intermitentes do Espectáculo, os investigadores,
os trabalhadores das Páginas Amarelas, as Amas, uma manifestação anti-capitalista que viera do Largo Camões, etc.
Queremos tudo! exigia um cartaz de quem acha que já passou o momento do «programa mínimo».
Finalmente, o SPGL ofereceu um espectáculo, com Camané, Jorge Palma, Janita Salomé, José Mário Branco - entre outros.
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