segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Atendimento

No dia 13, das 16 às 18 horas estarei no gabinete 306 ao vosso dispor para conversarmos sobre os trabalhos da disciplina, pois já vai sendo tempo de fazerem o projecto ou de delinearem o ensaio enquadrando os temas da cadeira.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Novamente a Nova, no dia da greve geral

A Teresa Bolas, apesar dos precalços com uma máquina fotográfica, conseguiu uma fotos da sua visita de terreno do dia da greve geral às instalações da FCSH. As fotos são cedidas pela Ana Candeias, cujos dotes já conhecemos doutras investidas mais a norte - pela aldeia da Petisqueira mais precisamente...






quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Greve geral - a manifestação anti-capitalista


A Annimari Juvonen, apesar de doente, enviou algumas fotos, sobretudo da manifestação anti-capitalista. Aqui ficam.




Greve geral - as instituições financeiras

Este é o contributo do Mauro Rodrigues (fotos e texto)

Autocolante encontrado ao lado de uma das portas (embora não a principal) de uma companhia de seguros (Liberty) na esquina entre avenida Fontes Pereira de Melo e a rua Camilo Castelo Branco. O autocolante pertence a um movimento intitulado MUDAR, direccionado aos bancários e de perspectiva sindical.

Greve Geral – 24 Novembro

A intenção desta pequena documentação da participação do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI) na greve geral deve-se ao facto de, sendo as institutições financeiras indubitavelmente as principais responsáveis pela “crise”, o interesse recair então na acção sindical e na consciencialização daqueles que mais directamente estão ao serviço do Capital (financeiro).

Porém ao longo do dia fui encontrando expressões de apelo à greve de outros sindicatos/movimentos.


Começo do dia

As bilheteiras das estações de Carcavelos (9h15) e do Cais do Sodré (10h52) completamente fechadas. Fica apenas a estranha sensação pessoal de paradoxo, o de me deslocar num dos serviços mínimos prestados pela CP, i.é., por alguém que não fez greve, para documentar a greve geral. No entanto o serviço era mesmo mínimo: mais de uma hora à espera (muitas pessoas desistiram de esperar).



Por todo o percurso a pé (Cais do Sodré, praça Luís de Camões, Avenida da Liberdade, avenida Fontes Pereira de Melo, Avenida 5 de Outubro, avenida de Berna, área da Mesquita Central de Lisboa, avenida António Augusto de Aguiar e de volta à avenida Fontes Pereira de Melo) apenas uma única excepção, a de uma agência da CGD, entre as muitas instituições financeiras, se encontrava fechada por motivos de greve. A normalidade é de funcionamento apesar da adesão à greve e de apelo à greve por parte do(s) sindicato(s).


Também encontrei pelo percurso faixas de um sindicato dos seguros (SINAPSA) em frente às companhias de seguros na avenida da Liberdade e Marquês de Pombal respectivamente (tranquilidade e axa)




Faixa de apelo à greve geral ao lado do Palácio Sotto Mayor na avenida Fontes Pereira de Melo.



A sede da CGD, na avenida de Berna encontrava-se rodeada de faixas do STEC (sindicato dos trabalhadores das empresas do grupo cgd) ao longo dos postes e das árvores e também faixas do SBSI. Numa breve conversa com dois funcionários, que fumavam cá fora, a adesão à greve, segundo eles, era de cerca de 50%, tendo o sindicato destribuído informação aos funcionários no interior do edifício.


 Autocolante MUDAR num poste do outro lado do passeio em frente ao Banco Popular na área da Mesquita.


Pela avenida António Augusto de Aguiar encontrava-se uma faixa do SBSI virada para o BPN com o El Corte Inglés atrás.


As formas de protesto dos sindicatos ligados a instituições financeiras foram muitíssimo discretas apesar das faixas, sem aglomerados, ou melhor sem ninguém perto do local de trabalho a manifestar-se.

 
Manifestação Anti-Capitalista


Na manifestação Anti-Capitalista de notar sempre o lado internacional do movimento; das pequenas conversas que tive incluiam-se pessoas de França, Espanha, Brasil, Alemanha e Itália que ou trabalhavam cá ou eram estudantes (sempre solidaridários com este movimento).


Guarda-chuva Anti-Capitalista.




Os cânticos/palavras de ordem mais marcantes foram: “Greve Geral até ao Carnaval”, de longe o/a que me parece ter conseguido maior impacto pelos muitos sorrisos (a boa disposição também é arma) que se juntavam ao coro; variantes “Greve Geral contra o Capital” e “Greve Geral Fazer um Festival”; outro “Á, Anti, Anti-Capitalista”.
Um dos cânticos efectudos que demonstra a parte internacional do movimento foi o “Bella Ciao”, canto popular de resistência italiano, entoado aquando da entrada da manifestação para a praça D. Pedro IV.


A creatividade e a prova de que o movimento não é só de uma geração


Outra faixa da praça D. Pedro IV que assim se “junta” à manifestação Anti-Capitalista em movimento.


Cartaz a anunciar a manifestação Anti-Capitalista num dos mapas de uma saída do metro do rossio.


Graffiti “Greve Geral até ao Carnaval” numa parede da avenida Almirante Reis

 
Outra variante do cartaz de apelo à manifestação Anti-Capitalista.



Graffiti num mura da avenida Almirante Reis “Da Nato à Greve Geral Luta Total!” com outro por cima para a liberdade do Abu-Jamal com o circuito de CCTV da CML.

Fim do Dia

Duas faizas do SBSI ao lado do edifício do Banco de Portugal. A pequena conversa com duas funcionárias que acabavam de sair do edifício, segundo uma no seu departamento notou-se adesão de 50% embora muitos não tenham ido trabalhar por falta de transporte

 

Greve Geral: o documento lido na concentração em frente do teatro D. Maria, em Lisboa

MANIFESTO CONTRA O ESTADO DE TRISTEZA GERAL

Imagine-se um dia sem arte nem cultura. Imagine-se que durante um dia inteiro o país fica sem teatro, sem dança, sem cinema, sem livros, sem música, sem rádio, sem concertos, sem exposições, sem televisão. Imagine-se um dia um país emudecido para não gastar palavras, parado para não gastar energia, embrutecido para não gastar ideias e emoções. Que género de vida defendem os que acham que a cultura é “desnecessária”?
Hoje, dia 24 de Novembro de 2010, dezenas de companhias e estruturas das artes do espectáculo páram de trabalhar. Trabalhadores independentes que não fazem parte de estruturas, juntam-se também neste dia para participar em acções de protesto contra as medidas violentas impostas pelo orçamento de estado para 2011.

Estamos a assistir à degradação do estado social onde direitos consagrados estão a ser reduzidos e retirados à maioria dos cidadãos. Ouvimos frequentemente que se trata de uma crise geral e de que é o modelo social europeu que está a ser posto em causa, como explicação de um colapso de um sistema de valores, de um vazio ideológico. Mas este vazio ideológico apenas serve para desresponsabilizar este ataque ao estado social.

Apertam-nos o pescoço. Tiram-nos o ar. Falam-nos de austeridade, de contenção, apelam ao nosso sentido de sacrifício, ao culto da Tristeza Geral. Insistem na ideia de que “é preciso sofrer para atingir uma recompensa futura” , mesmo que não se saiba que recompensa é essa e para quando.
Sabemos que o Orçamento de Estado para 2011 tenta fazer passar uma imagem de um plano consistente de salvação nacional. Que perante uma situação de “emergência” que devia meter medo a todos, o Estado consegue manter a calma e dividir o esforço por todos os sectores, como um pai severo que corta no mealheiro dos seus filhos, ou melhor, de quase todos os seus filhos.
O sector da cultura não escapa a este programa de austeridade, mas a situação é ainda mais gritante: a supressão de 1/4 do orçamento do Ministério da Cultura afecto a todas as áreas de criação e produção artísticas. Os artistas e os demais profissionais das artes do espectáculo e do audiovisual, já por si fragilizados pela ausência de um sistema que os proteja, são igualmente chamados a resignar-se à imposição deste estado de Tristeza Geral. Como se enquanto trabalhadores (e cidadãos) não fizessem parte de uma mesma luta que hoje se manifesta na adesão sem precedentes à Greve Geral.
A criação e fruição artísticas estão no centro da reflexão, da crítica e do gesto de cidadania. Temos consciência do gesto que exercemos aqui hoje, contra o estado da Tristeza Geral.

A Plataforma dos Intermitentes

Greve Geral: com os trabalhadores dos CTT, com os Intermitentes e presenciando confrontos com a polícia

O João Carlos Louçã enviou este vídeo, bem como o resultado do acompanhamento da concentração dos Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual
O João Carlos Louçã enviou este vídeo, bem como o resultado do acompanhamento da concentração dos Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual. Escreve ele: "Concentração en frente ao D. Maria II, Rossio. É lido comunicado dos dois grupos com espectáculo em cena, Teatro da Garagem e Teatro Meridional, pelos próprios. Nele explicam as suas razões para terem aderido à greve e para o Teatro Nacional não ter espectáculos neste dia. Também uma participante no cordão humano da manhã no Teatro S. João no Porto. Porta voz da Plataforma do Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual lê "Manifesto Geral Contra o estado de Tristeza Geral".



Num segundo momento, descrito por João Carlos Louçã: "Carro (BMW) passa em provocção às pessoas concentradas em frente do Teatro. Manifestantes reagem tapando-lhe a passagem na faixa de rodagem. Tentativa frustrada do condutor para forçar passagem. Manifestantes ocupam a rua impedindo a circulação sul/norte na Praça do Rossio.
Polícia tenta forçar passagem dos carros. Manifestantes optam por ocupar a passadeira de peões e mantêm a o bloqueio. Nervosismo policial que não contava com mais de 24 efectivos - todos, com a excepção do comandante, sem identificação. A situação prolonga-se e os agentes da PSP não conseguiam impedir as pessoas de transitar, ocupando, a faixa de rodagem. Brutalidade e utilização dos bastões. Um homem, identificado com colete de piquete de greve da CGTP é lanaçado ao chão e pontapeado por, pelo menos, 3 agentes. Ânimos exaltam-se e pessoas começam a gritar na cara dos polícias "a tua identificação". Muitas câmaras, poucos jornalistas, um deputado que exigia a identificação de cada um dos agentes, os responsáveis pela Plataforma a gritar "A luta é no Teatro não é na passadeira".
Aos poucos as pessoas foram-se reagrupando em frente ao Teatro e deixaram livre a circulação dos automóveis."









 
Continua o João Carlos: "Depois de algumas ideias lançadas no megafone, começa a formar-se um cordão humano em volta do Teatro, que lhe dá a volta completa."



Conclui o relato: "De volta em frente do Teatro, sentadas no chão os manifestantes gritam e cantam palavras de ordem.
É o fim de uma acção muito pouco prevista, mas também muito intensa."