quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Greve geral - as instituições financeiras

Este é o contributo do Mauro Rodrigues (fotos e texto)

Autocolante encontrado ao lado de uma das portas (embora não a principal) de uma companhia de seguros (Liberty) na esquina entre avenida Fontes Pereira de Melo e a rua Camilo Castelo Branco. O autocolante pertence a um movimento intitulado MUDAR, direccionado aos bancários e de perspectiva sindical.

Greve Geral – 24 Novembro

A intenção desta pequena documentação da participação do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI) na greve geral deve-se ao facto de, sendo as institutições financeiras indubitavelmente as principais responsáveis pela “crise”, o interesse recair então na acção sindical e na consciencialização daqueles que mais directamente estão ao serviço do Capital (financeiro).

Porém ao longo do dia fui encontrando expressões de apelo à greve de outros sindicatos/movimentos.


Começo do dia

As bilheteiras das estações de Carcavelos (9h15) e do Cais do Sodré (10h52) completamente fechadas. Fica apenas a estranha sensação pessoal de paradoxo, o de me deslocar num dos serviços mínimos prestados pela CP, i.é., por alguém que não fez greve, para documentar a greve geral. No entanto o serviço era mesmo mínimo: mais de uma hora à espera (muitas pessoas desistiram de esperar).



Por todo o percurso a pé (Cais do Sodré, praça Luís de Camões, Avenida da Liberdade, avenida Fontes Pereira de Melo, Avenida 5 de Outubro, avenida de Berna, área da Mesquita Central de Lisboa, avenida António Augusto de Aguiar e de volta à avenida Fontes Pereira de Melo) apenas uma única excepção, a de uma agência da CGD, entre as muitas instituições financeiras, se encontrava fechada por motivos de greve. A normalidade é de funcionamento apesar da adesão à greve e de apelo à greve por parte do(s) sindicato(s).


Também encontrei pelo percurso faixas de um sindicato dos seguros (SINAPSA) em frente às companhias de seguros na avenida da Liberdade e Marquês de Pombal respectivamente (tranquilidade e axa)




Faixa de apelo à greve geral ao lado do Palácio Sotto Mayor na avenida Fontes Pereira de Melo.



A sede da CGD, na avenida de Berna encontrava-se rodeada de faixas do STEC (sindicato dos trabalhadores das empresas do grupo cgd) ao longo dos postes e das árvores e também faixas do SBSI. Numa breve conversa com dois funcionários, que fumavam cá fora, a adesão à greve, segundo eles, era de cerca de 50%, tendo o sindicato destribuído informação aos funcionários no interior do edifício.


 Autocolante MUDAR num poste do outro lado do passeio em frente ao Banco Popular na área da Mesquita.


Pela avenida António Augusto de Aguiar encontrava-se uma faixa do SBSI virada para o BPN com o El Corte Inglés atrás.


As formas de protesto dos sindicatos ligados a instituições financeiras foram muitíssimo discretas apesar das faixas, sem aglomerados, ou melhor sem ninguém perto do local de trabalho a manifestar-se.

 
Manifestação Anti-Capitalista


Na manifestação Anti-Capitalista de notar sempre o lado internacional do movimento; das pequenas conversas que tive incluiam-se pessoas de França, Espanha, Brasil, Alemanha e Itália que ou trabalhavam cá ou eram estudantes (sempre solidaridários com este movimento).


Guarda-chuva Anti-Capitalista.




Os cânticos/palavras de ordem mais marcantes foram: “Greve Geral até ao Carnaval”, de longe o/a que me parece ter conseguido maior impacto pelos muitos sorrisos (a boa disposição também é arma) que se juntavam ao coro; variantes “Greve Geral contra o Capital” e “Greve Geral Fazer um Festival”; outro “Á, Anti, Anti-Capitalista”.
Um dos cânticos efectudos que demonstra a parte internacional do movimento foi o “Bella Ciao”, canto popular de resistência italiano, entoado aquando da entrada da manifestação para a praça D. Pedro IV.


A creatividade e a prova de que o movimento não é só de uma geração


Outra faixa da praça D. Pedro IV que assim se “junta” à manifestação Anti-Capitalista em movimento.


Cartaz a anunciar a manifestação Anti-Capitalista num dos mapas de uma saída do metro do rossio.


Graffiti “Greve Geral até ao Carnaval” numa parede da avenida Almirante Reis

 
Outra variante do cartaz de apelo à manifestação Anti-Capitalista.



Graffiti num mura da avenida Almirante Reis “Da Nato à Greve Geral Luta Total!” com outro por cima para a liberdade do Abu-Jamal com o circuito de CCTV da CML.

Fim do Dia

Duas faizas do SBSI ao lado do edifício do Banco de Portugal. A pequena conversa com duas funcionárias que acabavam de sair do edifício, segundo uma no seu departamento notou-se adesão de 50% embora muitos não tenham ido trabalhar por falta de transporte

 

Sem comentários:

Enviar um comentário